O Conto da Imaginação

Imagine uma floresta. Imaginou? Agora imagine um lago e um velho chalé de madeira. Imaginou? Ótimo. Você está indo bem. Faz muito frio, o céu parece chumbo de tão fechado e uma garoa fina cai sem parar. Agora você olha para o chalé e percebe que tem uma fumacinha fina saindo pela chaminé. Epa! Também tem uma luzinha alaranjada tremulando na janela. Seria luz de vela? Parece que sim.

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A porta se abre, você vê alguém saindo. O que está fazendo aí parado que nem besta? Esconda-se antes que te vejam. Onde? Sei lá, imagina uma moita ou alguma coisa do tipo. Já sei. Que tal o tronco caído de uma árvore centenária? Imaginou? Ótimo, agora se abaixa. Espero que não tenham te visto.

Agora você consegue observar melhor a pessoa que saiu do chalé. É uma mulher. Está usando jeans, botas, um casaco verde e um gorro vermelho. Force a imaginação e verá que ela também está usando luvas e um cachecol preto de lã. Ela deu a volta no chalé e você a perdeu de vista. Estique um pouco o pescoço, quem sabe você consegue encontrá-la. Não? Nada? Parece que ela sumiu mesmo.

Opa! Olhe para a direita. Parece que está vindo alguém. É um homem, está saindo de dentro da mata. Está usando jaqueta de couro e boné azul, parece que está segurando alguma coisa. Ele está bem longe e parcialmente encoberto pelos arbustos, mas talvez você consiga identificar o que ele leva na mão. Conseguiu? Não? E agora? O quê? UMA FACA? PUTA QUE O PARIU? Calma! Abaixa a cabeça e respira. É bom manter a calma nessas horas.

Acalmou? Ótimo. Agora levante a cabeça bem devagar, com cuidado para que ele não te veja. Isso, devagarinho. Olha lá, agora ele está mais próximo do chalé. Está andando meio agachado para não chamar atenção, a faca está colada ao corpo. Esse cara não é flor que se cheire, vai por mim. Tomara que a moça fique onde está ou… não quero nem pensar no que poderia acontecer se… Meu Deus, lá vem ela. Está trazendo um feixe de lenha nos braços. A coitadinha está completamente distraída.

Atenção! O sujeito a viu, agora está se escondendo atrás daquele barco velho às margens do lago. Filho da mãe! Olha só, eu acho bom você pensar em alguma coisa, e rápido, antes que seja tarde demais. Pensar em quê? E eu é que sei? Que tal ligar para a polícia? Isso, pegue o celular que está no seu bolso e disque 190. Não, esquece, digita 911 que a história é nos Estados Unidos. O quê? Você não fala inglês? Não acredito. A vida daquela garota depende de você… Certo, mantenha a calma, vamos pensar em algo… JÁ SEI! Digite 911, quando atenderem diga help… RÉUP, não RÉUPI. Isso. Muito bem. Eu sei que você não sabe dizer onde está, mas talvez eles consigam rastrear sua ligação, os americanos são eficientes, vai por mim.

Como assim não tem sinal? É verdade, esqueci que você está no meio de uma floresta. Como é? Você teve uma grande ideia? Imaginar uma torre de celular? Que bobagem, ele vai perceber uma torre daquele tamanhão aparecendo do nada e… A propósito, onde está ele? E ELA? A porta do chalé está fechada, só Deus sabe o que está acontecendo lá dentro neste momento. Talvez seja tarde demais. Não vai ter jeito, você vai ter que agir. Saia de trás desse tronco agora e dirija-se sorrateiramente até o chalé, mas não vá com as mãos abanando. Imagine uma pistola automática, alguns pentes de munição, um colete à prova de balas e o final da história.

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