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– Não é maravilhoso?

– O quê? Disse ele, abrindo a braguilha.

– Essa coisa de banheiro unissex.

– Ah, sim. Muito bom.

– Pois é. Em pensar que há pouco tempo rolava todo aquele moralismo. Homem de um lado, mulher do outro.

– Sexismo bobo.

– FAS-CIS-MO – ela sempre separava as sílabas das palavras quando queria dar mais ênfase.

– Verdade, coisa de fascista.

– FAS-CIS-TA!

– Mas agora tá bom, né.

– Não é questão de ser bom ou ruim, Luiz Rodolfo. É O COR-RE-TO.

– Verdade, assino embaixo. Disse ele, fechando a braguilha e se dirigindo ao lavatório.

Barulho de descarga. A porta se abre. Ela sai, ajeitando a saia na cintura.

– Se tem uma coisa que me deixa louca é esse falso moralismo de gente retrógada.

– Somos dois.

Saíram do banheiro de mãos dadas. Era um lindo final de tarde e os raios alaranjados do sol refletiam na superfície de granito da plataforma. Quando o trem chegou, ele embarcou no vagão masculino e ela no feminino antiassédio. Seguiriam juntos novamente quando o trem chegasse em Itapevi, dezoito estações depois.

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