Um Testículo Vibrando

Dia desses comecei a sentir uma estranha vibração no testículo direito. Como estou sempre com o celular no bolso da calça, passei um bom tempo enganado, achando que estava recebendo SMS de cinco em cinco minutos Zzz Zzz. Já aconteceram muitas coisas bizarras no meu corpo, suficientes para tirar o meu sono por pelo menos uma noite. Entretanto, nada me preocupa mais do que anomalias abaixo da linha da cintura. Tenho muito medo de adquirir algum tipo de doença que me impossibilite de trepar ou cagar normalmente. Então, quando meu testículo começou a vibrar Zzzz Zzzz Zzzz, fiz o que todo homem sensato faria; pesquisei na internet. Não foi fácil, eu nem mesmo sabia o que escrever no sistema de busca. Seria melhor ‘testículo vibrando’, ‘vibração no testículo’ ou quem sabe usar os termos ‘tremer’ no lugar de ‘vibrar’ e ‘bola’ no lugar de ‘testículo’? Acabei tentando uma porção de coisas, mas não encontrei muitos resultados. Ninguém pode imaginar que um testículo é capaz de vibrar. Que dele nasça a vida, vai lá, mas vibrar…NÃO MESMO Zzz Zzz Zzz. Enfim, só paramos para pensar neste tipo de coisa quando acontece conosco. Ninguém dá a mínima para os bagos dos outros. Quem se compadeceria da minha bola vibrando?

                Acabei em um desses sites onde pessoas leigas têm suas dúvidas respondidas por outras pessoas leigas, encontrei o depoimento de um cara que dizia sofrer do tal problema da bola vibrante Zzz Zzz Zzz. Acontece que o cara era motoboy ou coisa do tipo e desconfiava que o fato dele passar o dia inteiro andando de moto pudesse ter causado o problema. A única resposta para o caso era de um internauta que afirmava que, talvez, os espermatozoides do motoqueiro estivessem pedindo para dar uma voltinha de motoca. Depois dessa, decidi que o melhor mesmo seria PROCURAR UM UROLOGISTA. Eu nunca havia ido a um urologista antes e não esperava ir antes dos 40 anos, quando será indispensável que o meu rabo seja vasculhado à procura de um tumor – isso se a ciência não encontrar técnicas menos invasivas até lá.

saco2

                Cheguei cedo ao urologista – uns 15 anos antes do planejado. A recepção estava lotada e a recepcionista achou conveniente confirmar aos berros o meu nome completo e a especialidade para a qual eu seria direcionado, de maneira que todos os presentes pudessem ouvir claramente e imaginar a cabeça do meu pau parecendo uma couve flor, expelindo algum tipo de corrimento. Dava para ver a cara de nojo das velhas ao escutarem a palavra UROLOGISTA. Ninguém pensa em um testículo vibrando quando vê um cara procurando um urologista.

                O médico parecia bem normal – para um cara que mexe em pintos pelo menos seis horas por dia. Então me senti à vontade para relatar também um problema que eu havia tido alguns meses antes; uma certa ardência na hora de mijar, uma infecção urinária talvez. Ele disse que infecções urinárias são muito raras nos homens e que, muito provavelmente, eu estava com cálculo renal. Alguma partícula de sal poderia estar tentando escapar pela minha uretra, mas acabou entalada, roçando algum nervo que, incomodado, passou a mandar os alertas para o meu cérebro Zzz Zzz Zzz ‘pinto para cérebro’, ‘pinto para cérebro’, ‘responda cérebro’ Zzz Zzz…

                Fiquei aliviado por saber que uma pedrinha é capaz de fazer um testículo vibrar, de maneira que eu não estava ficando maluco. O médico pegou um bloco de papel e começou a prescrever um monte de exames: sangue, urina, espermograma completo, etc. Aproveitei o embalo e solicitei também a prescrição dos exames de HIV e Hepatite, já que ficaria tudo na conta da empresa onde eu trabalhava. Eu estava disposto a eliminar qualquer tipo de dúvida da cabeça. Não dá para ser 100% feliz quando não se tem um pedaço de papel atestando que você não tem nenhuma doença mortal. Uma vez, eu bebi demais e transei sem preservativo com uma garota que eu havia conhecido horas antes. Fiquei pelo menos uns quatro anos achando que tinha AIDS, e bastava algum comentário sobre o assunto na TV ou alguém com um laço vermelho na lapela para estragar o meu dia.

                Fui a um laboratório especializado e realizei a maioria dos exames, menos o exame de sangue, a ultrassonografia dos rins e o espermograma, pois todos precisavam de preparação. Para o espermograma seriam necessários pelo menos três dias de abstinência sexual, eu tinha apenas um ou dois dias, então pedi para que reagendassem. A recepcionista perguntou se eu queria levar um potinho para fazer a coleta em casa, achei melhor não, era repugnante a ideia de armazenar um potinho com porra no congelador de casa, junto com as carnes, as salsichas e as caixas de comida congelada. Uma semana depois, lá estava eu novamente no tal laboratório, com a barriga roncando de fome, por estar havia mais de doze horas em jejum, bebendo litros e mais litros de água para o exame de ultrassom. Fiquei um tempão esperando, minha bexiga já estava para explodir quando finalmente um cara me chamou. Disse que tudo estava pronto para a realização do espermograma. Eu não estava em condições de fazer a coleta do esperma, já estava quase mijando nas calças. Sugeri que a coleta fosse realizada após a ultrassonografia, ele concordou e eu voltei para a espera. Cerca de quinze minutos depois, fui chamado em uma sala onde uma loira gostosa me besuntou com gel e depois começou a cutucar os meus rins e minha bexiga com um aparelho que parecia um frasco de desodorante roll-on. Acabado o exame, me limpei mais ou menos com papel toalha e corri para o banheiro mais próximo onde – finalmente – pude dar uma mijada épica.

                Agora eu estava pronto para a coleta do esperma, mas, aparentemente, eles haviam se esquecido de mim. Fiquei mais um tempão esperando em uma sala de espera cheia de velhas fazendo suas palavras cruzadas e lendo suas revistas de fofoca. Fiquei puto e saí à procura do rapaz da porra, mas não o encontrei. No seu lugar, estava uma senhora de aproximadamente 60 anos, que me deu um potinho e um saquinho com lenços umedecidos. Perguntou se eu queria usar a sala simples ou a sala com TV. Escolhi a sala com TV. Havia um pequeno banheiro, onde higienizei o pinto e as mãos. Também tinha uma poltrona confortável, revistas de mulher pelada, de putaria e, estranhamente, uma revista Quatro Rodas – talvez fosse para os caras que preferem carros às mulheres -, no aparelho de DVD, um pornozão nacional com mulheres feias.

                Concentrei-me. Não foi tão difícil, afinal eu estava bem calmo, uma vez que eu sabia de exames muito mais dolorosos e constrangedores, como, por exemplo, o exame que um amigo meu teve de fazer uma vez. Acho que o nome do exame é biograma, e funciona mais ou menos assim: você fica uns três dias sem lavar o pau e quando ele estiver quase podre você vai a um laboratório onde uma enfermeira gostosa retira amostras de microrganismos do seu garotão – que a essa altura já encolheu a ponto de ficar do tamanho de um amendoim -, enquanto o seu rosto queima de vergonha.  Logo, bater uma bronha de frente para uma TV é mamão com açúcar. Abri a braguilha, coloquei o precioso pra fora e depois foi só deixar a Brigitte fazer todo o trabalho. Tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec… ploft. Uma mixaria de esperma. Merda, eu queria ter enchido o potinho para impressionar a enfermeira de 60 anos. Não deu. Ela apenas pegou o potinho da minha mão com um pedaço de papel toalha e começou a preencher um formulário, pediu para que eu esperasse alguns dias pelos resultados e me dispensou. No final, ficou confirmado que o meu problema era só o sódio mesmo, mas que, no geral, pelo resultado do espermograma, eu não tinha ‘porra nenhuma’ (TUM TSIIIII, rá rá rá). Então o médico pediu para que eu bebesse muita água e evitasse o excesso de sal na comida.
Agora estou bem, minha bola não está mais vibrando e não pretendo voltar ao urologista tão cedo. Também sou muito grato por estar saudável e por existirem pessoas no mundo que dedicam anos de suas vidas estudando pintos, cus e xoxotas. O que seria da humanidade sem esses profissionais? E se todo mundo resolvesse levar a vida bebendo cerveja com os amigos, assistindo futebol, tocando em bandas de rock, jogando baralho ou escrevendo besteiras? O que seria dos nossos rabos?

 

Padrão

17 comentários sobre “Um Testículo Vibrando

  1. Frank disse:

    Eu também comecei a sentir isso esses dias , parece que tem um celular vibrando no saco , comentei com a minha namorada que estava sem o celular no bolso mais estava sentindo a vibração no testículo direito , estranho demais , quando vi esse texto paresse que estava falando de mim , só que não fui em nenhum médico ainda .

    Curtir

  2. Escrevi a palavra certa:Vibração no saco.😳ESTOU MAIS TRANQUILO DEPOIS DE LER SUA HISTÓRIA , REALMENTE PENSEI Q O CELULAR ESTIVESE DENTRO DA CUECA ,METI A MÃO E SÓ ENCONTREI O SACO O PINTO JÁ NÃO TEN NADA MESMO 😩COM TUDO ISSO SEMANA QUE VEM VOU FAZER UM CHECAPE,OBRIGADO MEU CHAPA 👍🏿CAH

    Curtir

  3. HELBERT LINDOR DE SOUSA disse:

    Estou com o msm problema, e procuro textos mais curtos… Mas na hora q vc começa a ler, não quer parar mais, querendo descobrir o q acontece… Show!!! Cristiano seu texto é ótimo, explicativo e engraçado… Obrigado!!!!

    Curtir

  4. Walter Barbosa disse:

    Caraca mano! Eu estou há 2 dias com esta tal vibração! Fiz pesquisas sobre uretra, urologista, sintomas de problemas na próstata e por aí vai!
    Acabo de ler seu depoimento, hoje, sexta feira, chovendo pra cacete e eu preocupado que meu saco vai vibrar o fim de semana inteiro sem eu saber o que é!
    Aliviou saber que não foi nada no seu caso! Penso que o meu caso seja igual, mas, tenho que ir ver e sentir (ai!), pra ter aquele papel dizendo que não é nada! Tomara, pois, o meu é do lado esquerdo! parece que quer nascer um pinto no ovo! kkkk

    Curtir

  5. Luiz Eduardo Oliveira disse:

    Toda hora botando a mão no bolso achando que o celular tá tocando, tava tenso já. Pesquisei por ‘ saco tremendo ‘ mas é isso ae, valeu pelo relato meu caro!

    Curtir

  6. Thiago Luiz disse:

    Estou também com essa vibração, o maior incômodo fica na hora de dormir, e minha vibração fica na ponta do pinto. Tenho receio de ser um cálculo renal, sei lá, alguma pedra vagando na minha bexiga…

    Curtir

  7. Junio Lyma disse:

    Tbm estou sentindo o mesmo problema, alguém conseguiu solucionar? E de que maneira? E o que era? Vou no urologista daqui a 2 dias, fiquei um pouco mais tranquilo com o relato…mas ainda fico ainda receoso!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s